Sidney Srbjnovic

May 7, 2006

Em atitude de extrema coragem e respeito ao seu leitor, o blog Culto ao Nada resolveu ignorar a proibição expedida pelo Ministério da Verdade e publica na íntegra a coluna de Sidney Srbjnovic que deveria ter sido publicada há duas semanas.

O falso nível de escolaridade brasileiro

Quem disse que o brasileiro é um povo escolado? Desde o governo FHC, o número de pessoas que passou ou ainda passa pelo ensino superior aumentou consideravelmente. Mas isso não se refletiu na qualidade da educação do brasileiro. Com faculdades literalmente caindo aos pedaços, que oferecem turnos da madrugada, que funcionam dentro de cinemas após a última sessão da noite e com outras barbaridades, não é possível construir um cidadão de bem, realmente formado.

Tudo começou quando FHC, escravo do FMI, necessitava desesperadamente mais empréstimos. Uma das obrigações impostas pelos facínoras foi a de que o número de pessoas formadas deveria aumentar consideravelmente nos próximos anos. Pacto feito, mãos à obra. Primeira medida: acabar com os cursos técnicos de nível secundário, responsáveis pela geração de milhares empregos no país. Assim, que quisesse qualificar-se, deveria cursar uma faculdade ou cursar um técnico apenas após o Ensino Médio (antigo segundo grau). Segunda medida: “qualificar” o maior número possível de estudantes para cursar uma faculdade. Como? Fácil. Aumentar escandalosamente o número de supletivos de primeiro e segundo graus. Assim, se você tem 44 anos, largou a escola na 4ª série do Ensino Fundamental e quer cursar o Ensino Superior, nenhum problema. Em seis meses você conclui o supletivo das primeiras séries da escola. Em outros seis meses você conclui os três anos do Ensino Médio. Por fim, a última medida do governo. Todos devidamente formados nos primeiro e segundo graus, qual faculdade absorveria toda essa massa humana? A solução foi facilitar a abertura de faculdades pelo Brasil.

Hoje, qualquer pessoa pode abrir uma faculdade. Se for na área de humanas, aquelas que não precisam de laboratórios, melhor ainda. Compre um quadro-negro, meia dúzia de carteiras de braço e abra sua faculdade de Administração, ou de Ciências Contábeis. Alugue o cinema do bairro por 6 horas, todas as noites. Contrate como professores a mão-de-obra falha que o mercado não absorveu e faça o turno da madrugada do seu curso de Turismo. Assim que o último espectador deixar a projeção de Instinto Selvagem 2, toque o sinal. Inicia-se mais um dia (ou madrugada) de estudos. “Novidade imperdível. Para você que não tem tempo para estudar durante o dia, as Faculdades Sidney oferecem o curso de Filosofia no turno da madrugada. Aulas em poltronas confortáveis e projetadas no telão. Diploma reconhecido pelo MEC, em apenas 2 anos”. Parece brincadeira, mas acontece.

Já estamos colhendo o resultado disso tudo. Com milhares de pessoas sendo vomitadas no mercado a cada semestre letivo, não há emprego, logicamente, para todas. Por isso é normal vermos enfermeiras formadas trabalhando no balcão da panificadora da esquina, ou pedagogos formados trabalhando como operadores de telemarketing. Quando o insistente formado não abre mão de trabalhar em sua área e não consegue colocação no mercado, o caminho mais natural é virar empregado de pessoas medíocres, como professor de alunos medíocres, em faculdades medíocres como ele próprio. Assim o ciclo prossegue.

Sidney Srbjnovic
Sidney Srbjnovic, 47, é colunista do blog Culto ao Nada. É escritor, ensaísta e articulista. Já foi redator do jornal O Globo e diretor das revistas Acorde Jazz, Personas e Art Deco.

Batalha Judicial

April 28, 2006

Como todos puderam perceber, a badalada estréia do colunista Sidney Srbjnovic, prevista para acontecer no último final-de-semana, não ocorreu.

O Ministério da Verdade, na pessoa de seu comandante, Celso Rogério Bastos, PROIBIU a veiculação da coluna. Bastos alega que “as opiniões controvertidas e maliciosas de Srbjnovic são uma péssima influência para jovens e desinformados brasileiros”.

O blog Culto ao Nada entrou com recurso na Terceira Vara de Crimes Sociais, localizada em São Paulo capital e aguarda o julgamento do recurso. Até lá, a PROIBIÇÃO continua vigorando. Certo é que o blog fará de tudo para contar com a EXCLUSIVA coluna do grande pensador contemporâneo Sidney Srbjnovic.

Lamentamos profundamente o ocorrido e perguntamos: até quando seremos escravos deste tipo de proibição? O brasileiro não pode se calar e baixar a cabeça para tudo que lhe é imposto. Fica aqui o protesto do blog Culto ao Nada.

Sidney Srbjnovic

April 20, 2006

Não perca, neste fim-de-semana, a estréia do colunista Sidney Srbjnovic, aqui no Culto ao Nada.

Novidade no blog Culto ao Nada

April 16, 2006

Preocupado em estimular o debate dos problemas brasileiros e mundiais, além de refletir uma faceta importante do pensamento contemporâneo, o blog Culto ao Nada contará, a partir do próximo fim-de-semana, com uma coluna semanal escrita por um dos mais renomados pensadores brasileiros contemporâneos, o cão Sidney Srbjnovic.

Sidney Srbjnovic
Sidney Srbjnovic, em sua última
aparição em público, em 1995

SIDNEY ELLKAS SRBJNOVIC é um cachorro bípede da raça beagle. Iugoslavo, naturalizado brasileiro. Nasceu em 17 de fevereiro de 1959 em Belgrado. Filho do comerciante Dmitri Srbinovic e de Helen Ellkas. Solteiro. Com 11 anos fugiu de casa primeiramente até a Espanha, depois até o México, onde trabalhou como gandula durante a Copa do Mundo de 1970. Impressionado pelo futebol-arte praticado por Pelé, Tostão, Gérson e Cia., decide morar no Brasil.

Já no Rio de Janeiro trabalha primeiramente como engraxate, depois como office-boy. Após cursar supletivos do Ensino Fundamental e Médio (antigos primário, ginásio e centífico), em 1977 ingressa na UFF, na faculdade de História. Em 1978 abandona o curso. Trabalhando como auxiliar de escritório, em 1979 publica o artigo Senzalas Refrigeradas: um estudo da farsa, considerado por Gilberto Freyre “um artigo impressionante, escrito numa linguagem violenta”.

No mesmo ano passa a integrar a redação do jornal O Globo. De 1980 a 1984 tem sua fase mais produtiva, publicando contos, ensaios e crônicas em diversos jornais e revistas brasileiros, americanos e europeus. Seu estilo ácido de escrita rende-lhe o apelido de Cão Sarnento. No mesmo período publica os livros Afluentes da Margem Direita do Amazonas (1980), A Importância do Pousio para as Matas Escandinavas (1982), Indulgências: Verdades e Mitos (1983) e os romances Os Sabujos (1981), Todas as Lebres do Príncipe (1982), O Senhor da Glória (1982), O Pastor Indiano (1983), Terrinas e Calos (1983) e Telepatia (1984). Desliga-se então do jornal O Globo.

Colaborou por mais de 10 anos com as revistas Acorde Jazz, Personas e Art Deco, das quais chegou a diretor. De 1985 a 1989, escreveu 8 novelas e tentou vendê-las para as Redes Manchete, Bandeirantes e Globo. Todas são preteridas. Entre os títulos encontravam-se Terra de Ninguém (1986), Gira-mundo (1988) e A Sentinela (1989), sucessos de venda nos anos 90, depois de editadas. Em 1993 perde para Carlos Heitor Cony o privilégio de substituir Otto Lara Rezende na crônica diária do jornal Folha de São Paulo. Seus romances posteriores, Dinamite (1993) e Cabeçalho Apócrifo (1994) demonstraram uma profunda melancolia e um profundo desgosto com o “sistema”.

Foi finalista do prêmio Jabuti em 1986, 1989 e 1990, do Prêmio Camões em 1991, e do prêmio Nestlé pela Literatura em 1991 e 1993, ficando em segundo lugar em todas as oportunidades. Desaparecido e dado como morto em maio de 1995, sua suposta participação em fanzines nunca é confirmada. Sua última obra confirmada é Vou Mudar a Sua Vida, segundo lugar no prêmio Livro do Ano de 1995.

Desde sua desaparição, várias pessoas afirmam terem visto o cachorro vagando pela noite de grandes cidades de todo o mundo. Suas colaborações, sempre esporádicas e nunca confirmadas, em outros sites, panfletos e pasquins gera movimentação no meio político. Localizado e convidado por este site a redigir uma coluna semanal, Sidney aceitou prontamente, desde que permanecesse em local incógnito e enviasse os seus textos de forma eletrônica, já prontos. Outra exigência do Cão Sarnento é que não ocorram modificações de ordem alguma em seus textos.

Seus romances e textos trazem à tona os temas de Machado de Assis e Aluísio de Azevedo. Oto Maria Carpeaux fez a síntese: “Srbinovic é o representante principal do neo-realismo brasileiro. Começou como ensaísta, porém evoluiu, através de romances psicológicos, para o romance político”. Gilberto Amado considerou-o “um achado excepcional em nossa inteligência e literatura”.