Preocupado em estimular o debate dos problemas brasileiros e mundiais, além de refletir uma faceta importante do pensamento contemporâneo, o blog Culto ao Nada contará, a partir do próximo fim-de-semana, com uma coluna semanal escrita por um dos mais renomados pensadores brasileiros contemporâneos, o cão Sidney Srbjnovic.
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Sidney Srbjnovic, em sua última
aparição em público, em 1995
SIDNEY ELLKAS SRBJNOVIC é um cachorro bípede da raça beagle. Iugoslavo, naturalizado brasileiro. Nasceu em 17 de fevereiro de 1959 em Belgrado. Filho do comerciante Dmitri Srbinovic e de Helen Ellkas. Solteiro. Com 11 anos fugiu de casa primeiramente até a Espanha, depois até o México, onde trabalhou como gandula durante a Copa do Mundo de 1970. Impressionado pelo futebol-arte praticado por Pelé, Tostão, Gérson e Cia., decide morar no Brasil.
Já no Rio de Janeiro trabalha primeiramente como engraxate, depois como office-boy. Após cursar supletivos do Ensino Fundamental e Médio (antigos primário, ginásio e centífico), em 1977 ingressa na UFF, na faculdade de História. Em 1978 abandona o curso. Trabalhando como auxiliar de escritório, em 1979 publica o artigo Senzalas Refrigeradas: um estudo da farsa, considerado por Gilberto Freyre “um artigo impressionante, escrito numa linguagem violenta”.
No mesmo ano passa a integrar a redação do jornal O Globo. De 1980 a 1984 tem sua fase mais produtiva, publicando contos, ensaios e crônicas em diversos jornais e revistas brasileiros, americanos e europeus. Seu estilo ácido de escrita rende-lhe o apelido de Cão Sarnento. No mesmo período publica os livros Afluentes da Margem Direita do Amazonas (1980), A Importância do Pousio para as Matas Escandinavas (1982), Indulgências: Verdades e Mitos (1983) e os romances Os Sabujos (1981), Todas as Lebres do Príncipe (1982), O Senhor da Glória (1982), O Pastor Indiano (1983), Terrinas e Calos (1983) e Telepatia (1984). Desliga-se então do jornal O Globo.
Colaborou por mais de 10 anos com as revistas Acorde Jazz, Personas e Art Deco, das quais chegou a diretor. De 1985 a 1989, escreveu 8 novelas e tentou vendê-las para as Redes Manchete, Bandeirantes e Globo. Todas são preteridas. Entre os títulos encontravam-se Terra de Ninguém (1986), Gira-mundo (1988) e A Sentinela (1989), sucessos de venda nos anos 90, depois de editadas. Em 1993 perde para Carlos Heitor Cony o privilégio de substituir Otto Lara Rezende na crônica diária do jornal Folha de São Paulo. Seus romances posteriores, Dinamite (1993) e Cabeçalho Apócrifo (1994) demonstraram uma profunda melancolia e um profundo desgosto com o “sistema”.
Foi finalista do prêmio Jabuti em 1986, 1989 e 1990, do Prêmio Camões em 1991, e do prêmio Nestlé pela Literatura em 1991 e 1993, ficando em segundo lugar em todas as oportunidades. Desaparecido e dado como morto em maio de 1995, sua suposta participação em fanzines nunca é confirmada. Sua última obra confirmada é Vou Mudar a Sua Vida, segundo lugar no prêmio Livro do Ano de 1995.
Desde sua desaparição, várias pessoas afirmam terem visto o cachorro vagando pela noite de grandes cidades de todo o mundo. Suas colaborações, sempre esporádicas e nunca confirmadas, em outros sites, panfletos e pasquins gera movimentação no meio político. Localizado e convidado por este site a redigir uma coluna semanal, Sidney aceitou prontamente, desde que permanecesse em local incógnito e enviasse os seus textos de forma eletrônica, já prontos. Outra exigência do Cão Sarnento é que não ocorram modificações de ordem alguma em seus textos.
Seus romances e textos trazem à tona os temas de Machado de Assis e Aluísio de Azevedo. Oto Maria Carpeaux fez a síntese: “Srbinovic é o representante principal do neo-realismo brasileiro. Começou como ensaísta, porém evoluiu, através de romances psicológicos, para o romance político”. Gilberto Amado considerou-o “um achado excepcional em nossa inteligência e literatura”.